Folha da UERJ (FOUERJ):
quarta-feira, 01 de dezembro de 2010
Conotação e denotação: o Léxico e a Semântica
CRISTINA SARTORI DE ALMEIDA
especial para a UERJ
Quem já não se deparou com uma frase onde alguns termos estavam empregados fora de seu significado primitivo e ficou sem entender o que de fato queria dizer a bendita frase? Muitos diriam que sim. Isso porque algumas palavras possuem mais de um significado e, dependendo da intenção do autor, podem estar no sentido denotativo ou conotativo, o que requer mais atenção do leitor.
Cada palavra representa um conceito e essa relação entre conceito e palavra chama-se signo, signo linguístico, que é representado por significante e significado. Significante é a estrutura sonora e/ou escrita, a parte concreta do léxico, e significado, o sentido da palavra. O significado, portanto, é o ponto principal desta crônica, é onde a denotação e a conotação entram em ação.
Como sabemos, denotação refere-se ao sentido real da palavra, seu sentido original; e conotação, ao sentido simbólico, criativo do léxico, ao sentido figurado. A conotação normalmente é utilizada como recurso literário, porém encontramos também em falas do cotidiano.
Vejamos as seguintes frases com a palavra “bolo”: “Maria levou um bolo delicioso para sua casa”. A palavra bolo, neste exemplo, está no seu sentido real, que significa: “Massa de farinha com ingredientes, cozida na forma ou frita”. Já na frase: “Maria levou um bolo do seu namorado e ficou muito furiosa”, o termo encontra-se no sentido figurado, criativo. Frases como essa, usando o termo “bolo” no sentido conotativo, são bastante corriqueiras e seu significado quer dizer que Maria ficou esperando seu namorado em vão, pois ele nem apareceu para contar história!
Citemos também a palavra coração, empregada com sentidos diferentes nas seguintes frases: “João sente que seu coração não é mais o mesmo” e “João vai morar no coração da cidade”. Na primeira, o termo “coração” está empregado no sentido denotativo, “órgão”, e na segunda, no sentido conotativo, “centro”.
A nossa língua é por natureza polissêmica, ou seja, temos sentidos diversos para um mesmo termo, o que nos permite uma economia bastante considerável, visto que podemos empregar a mesma palavra em diversas situações e com diferentes significados. Cabe então aos usuários da língua atentar-se a esses mecanismos e aproveitá-los da melhor forma possível.
Cristina Sartori de Almeida é estudante de graduação do Instituto de Letras da UERJ.
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